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sábado, 18 de julho de 2015

Vamos falar de perdão?

 

Não, não podemos falar sobre o perdão.

O amor também acontece no coração e muito se fala sobre ele.

E o perdão? Falo, logo, tudo perdoado.

Não, não podemos falar sobre o perdão.

O amor nasce e a palavra o alimenta (ou o mata de fome). Pode começar tufão ou ser apenas um sopro de amor. É falar dele que a imagem vem fresca. Ganha jardim. Voam os pássaros e as borboletas. Alcança-se um tronco torcido. Uma nuvem no céu. E pronto: o amor se inscreve. Até quando não há mais amor, se você fala dele o mantém vivo. É uma coisa sublime. Pode ser inventada.

O perdão é assim. Você recebe um aviso no peito: perdoa. Feito. Tranque o perdão e siga em frente. Sem tocar no assunto. Só que tem assunto com vontade própria. Vai você falar de perdão por isso, por aquilo e descobre: a porta está encostada. Dos infernos, o que você sente não é nem primo distante do perdão. Você quer morrer. Matar. Não adianta falar, você está longe. Longe de perdoar.

Dia desses, alguém disse: você perdoa quando não tem mais necessidade de falar.

Então, é isso? O perdão é calado?
Não chega anunciando feito amor. Nem quebrando pratos feito ódio.
O dia em que o perdão chega a gente nem sente. Senta e toma chá.

O perdão, suspeito, deve vestir manto branco. Envolve o coração e o faz parar de sangrar.

Perdão é paz?

Não, não podemos falar.



Foto 1: Sônia Ribeiro
Foto 2: Catarina Ribeiro
 Manto Mana, exposição "Maria de todos nós".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pedra



Perda é pedra
Difícil remover
Melhor deixar quieta
Guardada

Quem perde
Ganha peso
Anda com outro
Dentro de si

Caminhar ao lado
Morar ao lado
Sentar lado a lado
De perfil, ver inteiro

Até que a pedra bate
Acerta de repente
Dura. Áspera. Enorme
Da noite pro dia, diferente

Dormir sozinho
Acordar acompanhado
Deixar de lado
Encarar: de frente

Pedra não descansa
Brinca. Estuda
Senta. Levanta
Rola pra cá, pra lá

Um dia vira jóia
Lapidada pelo amor
Só conhece
O tempo presente

Atravessa a correnteza
Bate fundo
Passa a morar
No interior de tudo

Pedra é prenda
Presa ao fio
Da memória
Brilha, eterna

No raro rio
Corre dentro da gente

Foto: arquivo pessoal

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A maioridade



Hoje, completo 18 anos. Se você soubesse quem sou, não diria “ainda é um broto!”. Posso não aparentar, mas sou velha. Comecei cedo o que muitos deixam pra mais tarde. Dei um passo firme, quando muitos ainda nem sabem engatinhar.
Arroubo? Coragem? Loucura? No fundo, o que me moveu foi outra coisa. Amor. Foi ele que me tirou do lugar e me fez andar. Cresci rápido. Com ele ao meu lado. Ele bateu à porta de repente. Numa virada de ano, na praia, entrou sem pedir. Nasci, poucos dias depois, num bar da Tijuca. Pé Quente. Nem imaginava que chegaria até aqui em tão boa forma.
Cresci alimentada pelas descobertas, pelas afinidades e pelas diferenças. Como toda criança, fiz muita birra e falei sem pensar. Na adolescência, tive crises, dúvidas, inseguranças. Passei por todas as fases cultivando aquilo que me despertou quando nasci. Não foi uma fórmula. Foi um jeito de viver. De topar e levantar. De brigar e fazer as pazes. De errar e acertar. De amar e ser amada.
Nova aos olhos de alguns e velha pelo olhar da minha estrada, me orgulho de minhas conquistas. Tornei-me morada, virei gente grande, sai do estágio pra profissão, viajei bastante pra quem tem 18 anos. Já permiti até guinadas! Motivei mudanças. Tudo, porque existo. Se eu não estivesse aqui, firme e forte, nenhum novo caminho seria possível. Viável. Eu fui a via. Eu sou o alicerce. A construção. O meu nome?
Na vida somos representados pelos nossos feitos. O meu, modéstia à parte, é lindo, alegre, cheio de imaginação e muita energia.
Pelo que sou, pelo que represento, pelos meus 18 anos, mereço PARABÉNS! Se no início eu não sabia onde ia dar, hoje sei aonde quero chegar. Ou melhor, permanecer.

Para o Amor da minha vida, Arthur José Lavatori Corrêa.
Pela nossa relação de 18 anos!
Por aquela que melhor nos representa, a nossa Helena!