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segunda-feira, 5 de maio de 2014

O desembrulho


 
- Uma folha é um carinho feito à mão. Soprou a brisa quando a menina abriu o papel e encontrou a seda.
 
O desembrulho revelou uma folha nova. Insuspeitável.
Era marrom, mas não com certeza.
Eram tantos marrons...
 
Era uma mão, um afago.
Uma folha de pelos.
Era um ouvido, uma atenção.
Uma folha de cheiros.
Era uma pá, um barco.
Uma folha de braços.
 
A menina mergulhou no embrulho azul e escuro e desembrulhou algo puro. O outono estendia a mão e pedia:
- Leia o presente, sinta o futuro.
 

terça-feira, 8 de abril de 2014

O embrulho




Papel de seda, conteúdo de outono.

A menina passou os dias com a folha embrulhada. Não conseguia abrir.

Imaginava o seco, as rugas, o formato. Tirar a seda e desembrulhar o outono diminuiria o enfeite da estação.

Tão bonito supor a folha. Adivinhar seu significado.

Ela parecia antiga, retorcida. Marrom, com certeza.

Acomodada no azul escuro, via-se claro o muro. O que separa a delicadeza do papel e o áspero do conteúdo, é a mão imóvel, sem rumo.

A folha tinha ido do chão à seda. Do nada pr'algum lugar. Desabrigar a folha não seria despejo? E abrir uma fresta, invasão?

Resolveu deixar ela ali, quieta. Vai ver é até flor. Ainda tem cheiro, cor.

E de dúvida tomada, a casa dela passou a ser... O interior.